terça-feira, 9 de setembro de 2008

Juan de casa nova!!!!


Após o nosso reencontro, Cláudio passou a sua primeira noite sob os cuidados de Claudinha, que o abrigou no canil de sua casa. Tive que arrastá-lo pela coleira pois além do medo que sentia, o cansaço da luta nas ruas já pesava e muito no seu corpo débil e desnutrido. Quando o instalamos, rapidamente procurou um cantinho pra se deitar e por ali ficou totalmente abatido, inerte e desolado. Nem a ração e a água fresquinha que carinhosamente Claudinha providenciou foram capazes de tirá-lo daquele estado de torpor, e assim me despedi dele com a promessa de que voltaria no dia seguinte para levá-lo para o espaço em que fora hospedado anteriormente: o quintal de uma clínicaque gentilmente foi emprestado ao Grupo para alojar os animais resgatados. Minha esperança era que Cláudio se sentisse um pouco mais animado ao retornar pro lugar que já lhe era bastante familiar. Teria bastante espaço pra correr além de poder fazer o que mais gostava: deitar de barriga pra cima, com as pernas abertas e se esfregar na grama parecendo uma perereca... rsrsrs... era uma graça...

E assim foi feito... Cláudio estava tão deprimido que nem foi necessário acomodá-lo na mala do carro, como é de costume, para fazer o ‘traslado’ até a clínica. Foi deitado no chão do meu carro, todo encolhido, totalmente alheio ao mundo. Seus olhinhos não estavam nada curiosos pra ver o que acontecia lá fora e teimavam em se fechar, talvez para não ter que encarar mais essa etapa de sua vida; e os meus, estavam marejados por ver minha ‘pérola negra’ assim... Meu Deus! como eu queria arrancar dele toda essa dor, todo esse sofrimento...

Ao chegarmos no quintal da clínica, logo ofereci a comida fresquinha que eu havia preparado pra ele, porém não surtiu nenhum efeito. Cláudio se dirigiu pra uma parte do terreno cujo mato estava um pouco crescido e se deitou desaparecendo de minha vista. Talvez o desejo dele fosse esse mesmo... D-E-S-A-P-A-R-E-C-E-R... Ainda fiquei ali um tempo, acariciando-o e tentando fazê-lo sentir o quanto era amado. Dizia baixinho que tudo ia passar, que ia dar certo e que ele voltaria a se sentir feliz...

Passaram-se dois dias e Cláudio não esboçava nenhuma melhora. Continuava muito deprimido e isso cortava o meu coração. Conversei com Helinha e tivemos a idéia de fazer uma troca. Levaríamos Cláudio para a casa da praia onde estavam Juan e Princesa e traríamos Juan para o quintal da clínica. De fato foi uma medida providencial pois percebemos que não estava funcionando mantê-lo junto de Princesa. De temperamento extremamente dominante e ‘esganiçado’ em relação à comida, Juan não permitia que ela se alimentasse. Apesar de ter comida e ração em abundância à disposição dos dois, Princesa estava emagrecendo à olhos vistos e isso não era nada bom. Por sua vez, Cláudio teria a companhia de Princesa, cadelinha extremamente dócil e brincalhona que certamente traria a alegria de volta para os seus dias...

Durante os 15 dias que Juan permaneceu na clínica eu o visitava em dias alternados levando sempre comida fresquinha e vitaminada. Ao chegar, me preparava psicologicamente pra levar um banho de baba e de areia, pois ao me ver, Juan vinha correndo em minha direção e se jogava com toda sua truculência, pulando em cima de mim e depois se jogava no chão, aos meus pés, se debatendo num 'frenesi alucinado', jogando nas minhas pernas toda a areia que pudesse espalhar... Em seguida, se levantava e corria para o local onde eu sempre colocava a comida que trazia. Comia desesperadamente, como se fosse a última refeição, bebia muita água em grandes e rápidos goles e voltava pra se deitar encostado ao portão de saída, à espreita de uma oportunidade de 'ganhar o mundo'. Sair dali com Juan grudado no portão sem que ele fugisse era uma manobra e tanto! Também me custava muito deixá-lo ali sozinho principalmente porque ele chorava muito ao me ver indo embora. Mesmo sabendo que Juan estava bem e com muito vigor, ficava imaginando sua solidão. E isso não me deixava ficar em paz...

Pedia à Deus que aparecesse logo uma família legal disposta a adotá-lo e que também atendesse aos pré-requisitos para tal. Juan não poderia ir para qualquer lar em função de sua agitação e dominância. Sabíamos também que não poderia ir para uma casa que já tivesse outro focinho pois certamente repetiria o comportamento de dominância que teve com Princesa em relação à comida. O seu temperamento instável e nervoso também não nos dava confiança de encaminhá-lo para uma família que tivesse crianças muito pequenas, pois sabemos que as mesmas adoram ‘montar’ no animal quando ele é de grande porte, puxar o rabo, apertar o focinho e outras ‘infanto-atrocidades’, e também como desconhecíamos o passado desse focinho, ficamos receiosas que esse tipo de ‘intimidade’ pudesse acionar a sua ‘maquininha de morder’... Nossa! Seria uma tragédia... Apesar de ser um belo cão, forte, austero e carinhoso também, em virtude desses ‘senões’, achei que Juan levaria um tempinho pra ser adotado mas graças à Deus eu estava totalmente errada...

Através de Helinha, Juan conseguiu uma família que adora animais e estava sofrendo muito pela recente perda do seu companheirinho de tantos anos. Queriam aplacar a dor da ausência do amigo fiel se voltando para outro focinho. E assim, eu e Helinha nos aventuramos pela periferia da cidade, transitando por ‘lugares nunca d’antes visitados’ para levar o nosso 'velhinho' para o seu novo lar. Uma casa pra guardar, um bom canil pra se abrigar, uma família a quem se dedicar. Pessoas simples, porém bastante amorosas, que imediatamente acolheram Juan em seu coração, querendo dar a ele todo o carinho, cuidados e atenção que outrora dedicaram ao focinho amigo que partiu pra se tornar uma estrelinha brilhante e reluzente e que certamente iluminará todos os dias da nova e feliz vida de nosso Juan tão querido, tão amado e tão especial.

Juan, você me mostrou que, por mais que os anos já tenham deixado suas marcas, embranquecendo seu focinho e agrisalhando seus pêlos, seu coração ama como um jovem, com todas as forças e desesperadamente...

Encontrar você foi um privilégio, uma bênção... se fez força e presença inesquecível em meu coração...

Seja feliz, meu amigão!!!!

Paz e luz pra ti...

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Quero agradecer a todos pela visitinha e os recadinhos deixados aqui!

2 comentários:

Helinha disse...

Q texto lindo! Vc realmente tem dons de escritora. rsrs
Conseguiu saber noticias atuais de Juan???
Bjos
Helinha

Juliana disse...

Alice...
Perdoe minha ignorancia, mas agora que percebi que a carrocinha do bem eh um blog, e muito lindo por sinal.
Estou feliz por vc, por Juan e por todos nos, pois no fim mesmo nao tendo chegado a conhecer o focinho pessoalmente considero isso uma vitoria nossa!!! Pois pelo menos a mim remete aquela nossa conversa sobre o bem maior que podemos fazer...
Beijo